domingo, 17 de fevereiro de 2013

#14 critica: Caça aos Gangsteres

Time de heróis num mundo bizarro.

Queria gostar desse filme. Vou ser honesto, havia me encantado por ele quando vi seu trailer lançado pela Warner ano passado. Mas o resultado é um dos piores filmes que estão em cartaz (isso se não houvesse João e Maria). O roteiro de Will Beall e Paul Lieberman (o primeiro sujeito é um dos que vem cuidando do roteiro da promessa da Warner, o filme da Liga da Justiça) é pavoroso. Assustador no sentido mais inacreditável possível  Ora me parece uma espécie de filme B mal feito. A direção de Ruben Fleischer (Zumbilândia, 50 minutos ou menos) não ajuda em nada e todo o resultado soa esquematizado. Os personagens são um puro esteriótipo de tudo o que já se viu em filmes mal feitos. O velho conto do bom e mal pitoresco. Por que diria isso? Baseado numa historia verídica  após perceber que Los Angeles vivia sob o comando de um gangster chamado Mickey Cohen, - interpretado pelo ator Sean Penn que aqui faz um misto grotesco de vilão de Dick Tracy com um medonho senso de humor, suas gags e referencias a Scarface que o roteiro rouba descaradamente, além do modo como é explorada sua vida de boxeador -, o chefe do departamento de segurança Bill Paker (Nick Nolte) observa no sargento John O'Mara (Josh Brolin) a perfeita representação do homem justo que podia enfraquecer nos setores vitais a operação de desenvolvimento da quadrilha de gangsteres liderado por Cohen. Para isso forma uma quadrilha de policiais para encarar o vilão. Não espere algo como em Os Intocáveis  onde Brian De Palma criou um clima e uma composição bem feita dos integrantes dessa equipe. Só digo que é dantesco. Cada integrante tem uma habilidade. Um é bom atirador, outro é bom com facas. Há um jovem e seu mentor. Em A Liga Extraordinária (2003), filme adaptado do novel de Alan Moore, que foi linchado na época, e com razão porque sofria das mesmas gags horrendas, mas quer saber fazia sentido. Nada demais, porém até que funcionava no roteiro. O filme de Fleischer é decepcionante e não empolga nem um pouco, pelo contrario. É previsível e chato. Nem tenho palavras para dizer o quanto ruim é a história, mas o filme não é só malhação  A direção de arte e reconstituição de época é de saltar os olhos. Os figurinos e até a interpretação dos atores que ali no filme pareciam vivenciar a história, fazem o seu máximo. O problema é nos convencer de um embate tão cartunistico, enfadonho. Vi esse filme por gostar dos atores e do visual que o trailer me passou. Ryan Gosling, que faz o sargento Jerry Wooters é um dos meus atores favoritos (se não o mais), aqui com a Emma Stone, me faria pensar, oh Deus, depois de Crazy, Stupid, Love (2011), de toda aquela química sensacional que gostei tanto aqui vai se repetir. Não. Talvez nuns segundos do filme, mas passa. Desperdício de tantos talentosos atores numa droga como essa. Me perdoe o tom, mas fujam. Pulem cercas, corram pelo gramado se virem esse filme passando. E os diálogos  Me esqueci de uns, mas gostaria de lembra-los para pô-los aqui. Não deu para fazer uma gracinha com esse texto, a fim de rirmos um pouco solitários na leitura desse texto, sobre esse filme. Deixa pra lá.

A proposito havia uma cena sensacional em que alguém entrava num cinema em meio a uma sessão e atirava em todos. Achei no trailer icônica  porém foi retirada do filme, devido aos atentados que ocorreram ano passado em sessões de cinema nos EUA. Nem importa muito, já que o filme é de uma violência desnecessária em certos momentos e nem uma cena com uma Carmem Miranda cantando num clube tornam  o simpático. Uma pena. Tempo jogado fora.

Aff...

#13 crítica: O Mestre

Freddie Quell buscando respostas numa vida atribulada.

Em raros momentos de deslumbre, o cinema de hoje reverencia Paul Thomas Anderson. O diretor que fez o melhor filme da década passada na opinião desse critico de araque que vos fala, o seu "There Will Be Blood", aqui chamado de "Sangue Negro". Um espetáculo aos olhos, numa história de quedas e redenções que salta aos pupilos. Agora, ele retorna a personagens que trazem um pouca da aura dos anos 60, numa América redefinindo sua identidade. Em "O Mestre", que acima de tudo é um filme que nos conduz para uma imersão, para os que se deixarem levar pelo filme, por sua forma de contar a história. O filme segue os passos de um ex-soldado da Marinha americana, Freddie Quell (Joaquim Phoenix, arrasando), que após o fim da segunda grande guerra, vive num ócio sem fim. Consegue um emprego numa loja de departamento, trabalhando como fotografo. Em meio a bebedeiras, entra num navio e permanece por lá. O comandante da navegação é um líder de uma seita, Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), que com seu carisma e teatralidade convence a todos de suas ideias. Principalmente, convence o perdido e desorientado Freddie Quell, que já não sabe o que fazer de sua vida desde que voltou do conflito, tendo perdido namorada, sonhos e um lugar chamar de casa. Dodd lhe dá um lugar para ficar, e uma função. Uma chance para que sirva de experiencias e venha com isso se redimir de sua vida pregressa e se curar de seus males por meio das doutrinas impostas pelo Mestre, como é assim chamado por boa parte das pessoas o líder da seita, que busca traços com a cientologia criada na vida real por L. Ron Hubbard, mas são apenas poucas as referencias e o enfoque não é uma critica a crença que atrai muitos famosos em Hollywood, como Tom Cruise e John Travolta. O objetivo é traçar um panorama do ambiente de uma geração, principalmente a americana, sobre um olhar esmiuçado e critico de Anderson, pós Guerras e em diferentes momentos como a mente de uns conduzia a solidão, ao fracasso e ao medo.

Se nesse duelo de dois personagens de certa forma parecidos ao seus modos, habitam o charlatanismo de um lado e o fracassado redimido de outro, nos vemos em meio a condição de mero espectador nessa linha tênue entre o choque e os limites que ambos pendem para se perderem de si. Dodd é convincente em suas demonstrações, mas não sente um brio e certo conforto interior. Vê num sujeito como Quinn, um ser alheio ao mundo em seu estado bruto e o trata como um verdadeiro animal, ao impor certas tarefas de "adestramento" para que compreenda o mundo. Nesse sentido, o ex-soldado da Marinha, de fato se enquadra no objetivo principal de Dodd que é achar alguém que explique seus métodos e sua doutrina. De um cara que só pensa em sexo e age de forma perturbadora  misturando componentes químicos em bebidas e se embebedando com elas, ele supõe ter atingido algo em sua vida com a tal crença.

O filme foi filmado em 65 mm, em alta definição, o que causa profundas vertigens em muitas das imagens que tomam proporções arrebatadoras, como nas cenas do inicio do longa, onde o ex-marinheiro Quinn viaja por diversos cantos da América. Como um todo ele consegue passar uma dimensão que se pode explorar com a precisão de um espectador, a poucos passos do inacreditável. Se aliado a uma fotografia fabulosa, uma trilha sonora (que vergonha não ter sido indicado ao Oscar!) de Jonny Greenwood, do Radiohead, que beira ao deslumbre, a equação resulta de um dos filmes mais belos do ano e com certeza da carreira do diretor, que tem seis filmes no currículo e ja um dos grandes. Sua sensibilidade em moldar a interpretação dos atores (que são magistrais, vide Phoenix e Hoffman, que em seus embates são grandiosos e Amy Adams excelente no papel da mulher de Dodd). Um clássico  mais um que vale a pena ser admirado. Com um brilho nos olhos.

Duelo de gigantes.
O diretor e o ator em alto mar.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

#12 crítica: Django Livre

"Kill white folks and they pay you for it? What's not to like?"

"At first you had my curiosity. Now you have my attention."

"So you a bounty hunter hum, a black boy getting paid to kill white man. How'd you like that line of work?"

"Django isn't a slave. Django is a free man. You understand? You can't treat him like any of these other niggers around here, cause he ain't like any of these other niggers around here. Ya got it?"

"O que signfica esse negro em cima desse cavalo". Samuel L. Jackson. Perfeito.

Os brilhantes dialogos acima são do mais novo filme do diretor Quentin Tarantino, Django Livre que estreou nessa sexta. O mesmo diretor que nos trouxe tantas obras fantasticas, como Pulp Fiction, Kill Bill Vol. 1 e 2, Bastardos Inglórios  Jackie Brown e por ai vai... vem com um filme agora que só com o numero de citações da palavra preconceituosa e proibida de ser dita entre os ianques: nigger (negro, num sentido pejorativo) já basta para ser polemica para muitos, tendo seu porta voz o diretor Spike Lee. Pura besteira. Aqui temos o que de melhor há na obra do diretor: sacadas geniais, dialogos primorosos, uma trilha-sonora de arrebentar, além da fotografia, da direção de arte, do figurino, edição...e tal, mas como não se encantar por obras tão bem feitas e que são tão divertidas. A saga do escravo Django que sabia o paradeiro de certos assassinos, que é liberto por um dentista de araque de nome Dr. King Schultz que usa a profissão como pano de fundo para sua verdadeira condição, a de um caçador de recompensas, bem ao estilo do bom western, leva o espectador numa viagem pelos Estados Unidos em busca de capturar procurados pela justiça "vivos ou mortos", com o fim tendo o artificio a redenção do amor, que redime a tudo e a tudos. Um amor banhado de sangue, pra ressaltar, claro.

Sai do cinema com a impressão de que esse seria o melhor filme de Tarantino, pelo detalhes que já citei, mas não quero ser injusto com suas tão outras excelentes crias. Não há como negar o esplendido trabalho que fez aqui ao recontar a história, (da ultima vez, recontou o desfecho da segunda guerra matando Hitler e terceiro Reich inteiro numa explosão em um cinema), só que com um tempero diferente. O clima dos grandes filmoes de western spaghetti tem suas referencias nos classicos de Sergio Corbucci e outros grandes figurões, e uma história que surpreendi ao ser inserido no universo de Tarantino, que como adorei o que disse o produtor musical Nelson Motta, é um genero proprio os filmes do diretor. Tem algo de tudo, com tudo o que é possivel injetar de seu liquidificador de cultura pop e referencias à classicos da sétima arte e muito sangue. E aqui em Django, tudo se eleva ao máximo, a fotografia em meio as montanhas e paisagens americanas é de enher os olhos, além da atuação primorosa que conduz em seus atores. Christoph Waltz tá mais uma vez incrivel num personagem feito especialmente para ele pelo diretor (assim como em Bastardos, igualmente incrivel, onde fez o nazista esquizofrenico), e aqui um hilario caçador de recompensas, que se passa como dentista. Leonardo Di Caprio está muito bem como o senhor de terras e proprietário sem escrupulos Calvin Candie, dono da Candyland - lugar para onde partem Django e Dr. King em busca de um amor antigo do escravo liberto. E o personagem de Samuel L. Jackson, genial interepretando, ironicamente um negro que é conivente com a opressão do proprio povo. O filme é um deleite para cinéfilos, um deslumbre que só é possivel comensurar com o nosso prazer em ver uma obra assim, com tanto esmero.

O filme, um dos mais longos em tempo de duração do diretor, se envereda por uma historia que beira a uma opera, com o desfecho apoteotico, sangrento e arrebatador. Jamie Foxx no papel de Django tá perfeito, uma escolha que claramente se vê sendo acertada, nem pensar o outro ator cotado para o papel daria tamanha vitalidade ao personagem, esse ator em questão é Will Smith, que não aceitou na época. Vou ser sincero, se há algo aqui de extraordinario, pode ter certeza que foi pensado minunciosamente para tomar vida e de fato, uma injustiça a Academia não ter indicado Tarantino a melhor diretor.Sua paixão e ardor em trazer aqui uma história que se embebeda de um roteiro excelente e uma produção sem igual. Lembrando que esse projeto era um sonho antigo do diretor, que agora finalmente tomou realidade. E ainda me pego ouvindo a trilha-sonora que é para variar, maravilhosa, usando um termo bem simplorio. Unir 2Pac e James Brown? Ijetar Ennio Morricone as tantas e ainda mesclar com bons sons de gente nova como o cantor John Legend. E tem uma especial que não sai da minha cabeça, a que é embalada na presença do Dr. King Schultz. "He's name is King. He's name is King. He have a horse...". haha... Todo momento em que se apresenta, o doutor Schultz o faz não somente a si mesmo, mas ao cavalo também com seu respectivo nome, numa carroça que carrega um consultorio movel com um dente gigante preso a uma mola no topo. Iconico. Sensacional.

Sadico e cheio de ironias. Esse é Calvin Candy (Leo Di Caprio)


Django Livre deixa a sensação de ao mesmo tempo ser um filme extremamente bem feito, te diverti sem piedades (atenção na cena com Jonah Hill, simplesmente hilária). Como numa sessão que tem tudo para impressionar e se tornar dificil de esquecer. Não dá para negar que o direot criou mais uma obra-prima em sua estante. Pimba.




Segue umas mais brilhantes trilhas sonoras dos ultimos tempos que eu saiba: Django!

#11 crítica: Amour

Haneke com os atores Emmanuelle Riva e Jean Louis-Trintignant

Vi no feriado de São Paulo, o filme Amor, do diretor Michael Haneke, numa sessão lotada no Frei Caneca. Tem algumas coisas que me intrigaram no filme, e tenho que admitir que o filme é duro, intenso e sem mensagens altruistas. Em muitas partes dele o senso de uma busca por entender a natureza desse sentimento que é o amor, acompanha toda a sessão. Um algo que transcende os limites do incalculavel, do ponto de vista do que é feito esse sentimento e os limites que faz dele algo de se admirar. O diretor austriaco é um manipulador desses cenarios e conduz o espectador a um desfecho cruel e inevitavel, como o protagonista denota em suas ações. Numa edição publicada ano passado na revista Cahiers Du Cinema, na capa a publicação desconstruia a idolatria por muitos dos criticos e profissionais sobre Haneke e seus filmes como Caché, A Fita Branca, Funny Games, por aí vai... a ideia era expor a frieza com que tratava seus temas sobre a humanidade, da qual ele pouco se importa. O que vemos nesse filme novo e aclamado do diretor é o inverso do que boa parte dos seus filmes expõe, aqu iestá a imagem de uma dolorosa separação de um casal de idosos por meio de uma doença que atinge a senhora, que a faz aos poucos, num processo de degradação, perder suas funções e sentidos vitais. Já seu marido, extremamente fiel se põe a fazer o que pode para salvá-la. O que sobra ao final do casamento é o amor que vive, mas pode ter algum valor de fato em meio a tanto sofrimento? O sentimentalismo aqui se esvai. O que sobra são pedaços de um amor que pode ser maior que tudo, ou pode ser algo que dure por um tempo em sua forma romantica de ser. Essa talvez seja sua essencia: o amor, seus pesos e medidas.
E foi inesperado. Se no começo, ambos acompanhavam seu pupilo musico, - a senhora de nome Anne, interpretada pela brilhante atriz Emmanuelle Riva, (de Hiroshima, meu amor, 1959) era uma professora de música antes de se definhar aos poucos. Acabamos vendo num café pela manhã, Anne parada diante de um marido (Jean Louis-Trintignant, esplendido), que atonito não sabe como reagir. Com o peso dos anos, caminha o máximo que pode e se veste. Com o espanto de ter visto sua mulher de tantos anos parada, congelada, abriu a torneira para molhar seu pescoço. Enquanto se vestia, percebeu que a torneira foi fechada. Voltou e Anne não se lembrou do ocorrido. Dali suas vidas não seriam as mesmas. O amor daria prova de sua força, sua intensidade e sua insensibilidade.

O fatidico momento em que a doença é revelada. Dores que dialogam com o amor.

O amor pode não existir, como dizem muitos, mas há um quê de libertador nesse sentimento, algo que impera em tudo em suas expressões, mas ao mesmo tempo nossa fragilidade humana se deteriora a medida que somos seres vivos feito de carne e ossos. Amor é algo poderoso, mas entre nós, seres humanos, é falivel de certas incongrencias. Sua intensidade se transforma em algo generico , mas outros sentimentos fazem tudo ser imperfeito num ambiente em que toda esse amorosidade se supera. É possivel ver um amor entre duas pessoas no máximo, por isso é um sentimento fragil. Um amor por uma comunidade ou algo assim, é a superação de outras questoes e necessidades. Sentimos o poder disso quando nos atraimos por alguém. Ou pelos pais, irmãos. Entretanto, não abrange tudo e todos. 
O longa-metragem de Michael Haneke é dificil de digerir. Tudo parece nos carregar a uma aflição crescente. Seja na torneira aberta, no pombo que entra de assalto a casa, os pesamos dos funcionarios do prédio em que moram. Sua forma de narrativa é gelada e ganha dimensões com o desfecho. Ali, nesse fim, tudo é em vão e vale a pena. De repente achamos que a cena continua com a filha entrando na casa dos pais e sentando a cadeira. Já havia acabado o script, os letreiros subiram e o tal do amor do título carrega a todos que se perguntam sobre a si mesmos e sua capacidade de amar alguém assim.

#10 crítica: Life of Pi


Uma vida de aventuras. E fé na vida.

Dar vazão ao inacreditável. É um pouco do que o diretor Ang Lee nos provoca ao trazer as telas o aclamado livro do escritor canadense Yann Martel, sobre um garoto que após uma tragédia fica a deriva perdido no oceano junto a um tigre. O diretor cria um mundo de bravura e sentimentos tão fortes que é simplesmente impossivel não se deixar levar pela trama que tem em sua essencia a busca para nos libertarmos do medo que há muitas vezes dentro de nós mesmos. A ideia nesse caso, o tigre sendo o medo que temos que enfrentar para podermos levar a vida. Os muitos significados que o filme traz talvez tenha no seu mais importante significado, a fé e a esperança que constroi dimensões maiores e instransponiveis do que o proprio ser humano e sua natureza.
O processo que aqui é criado para nos levar veracidade a historia vem de um arduo processo de criação dos cenarios e dos animais, todos assombrosamente criados em CGI, em especial o tigre no barco, a perfeição choca, sem duvidas. O refinamento dos efeitos, somados a trilha sonora magnifica e a direção competente de Lee faz de As aventuras de Pi um daqueles filmes memoraveis. Talvez pelo choque que a beleza das imagens causa aos olhos. Um esmero de detalhes, que remete a uma pintura. O mar e suas cores, o céu e suas cores. A surrealidade transitando por entre os mundos que o garoto contruiu para conduzir sua jornada rumo ao desconhecido (que é a vida?), e ao mundo que ali se desdobrava.
O filme conta a história de Piscine Molitor Patel, em referencia uma piscina que seu pai visitou na juventude em Paris, na França  por se tratar de uma piscina que purificava a alma de tão limpa e cristalina. O nome de batismo gerou como era de se esperar ironias e zombações de seus colegas no colegio. Ao se deparar com isso, resolveu convencer a todos que deveriam chamá-lo de Pi (em referencia ao algaritmo 3,14). Sua familia era proprietaria de um zoologico, e seus interesses além de cortejar uma garota do qual era apaixonado, era buscar novas religioes, como quem troca de roupas. Não se contentava com uma fé simples, e via nas diferentes manifestações de fé um significado em todas elas. Morava numa região francesa da India, que com os perigos que a instabilidade politica na época trazia ao país, seu pai tomou a decisão de mudar para um outro lugar para dar estabilidade e segurança a sua familia. Pegaram os animais mais valiosos  do zoo e partiram rumo ao Canadá. No trajeto, uma tempestade fez o navio cargueiro naufragar e com ele levar seus pais e seu irmão. Por ironia do destino, sobreviveu por ter saido do quarto no momento da tragédia. Se viu num barco com outros animais, dentre eles o tal tigre em meio a imensidão do oceano. Sua jornada de fé e bravura daria ali passos rumo ao inacreditável.
O oceano solitario e imenso fez com que tentasse sobreviver das mais impossiveis maneiras. O modo como se relacionava emocionalmente com os animais a bordo do pequeno barco, suas lembranças, medos são tão reais a quem assiste que nos sentimos presos completamente tragados ao filme, que ajudando em muito colabora com isso um impressionante 3D capaz de nos fazer criar laços de companheirismo ao garoto Pi em meio a sua epopéia. O destino insolito trouxe peixes voadores, suricatos que se viam aos montes numa ilha, além de um orangotango fêmea de nome suco de laranja que esteve a deriva e foi resgatada pelo barco de Pi.

Os poderes do CGI. Incrivel.

O fim nos traz a pergunta, o que de toda a jornada foi real ou ficção, em meio a questionamentos dos responsaveis pela empresa que cuidava do navio que naufragou. A trama, que é toda uma confissão de Pi a um escritor, que foi encorajado a tentar conhecer a história que o faria "acreditar em Deus"., termina da mesma forma, o que serve de pano de fundo a toda a epopeia, uma historia tragica e realista, ou algo que por ter ocorrido faria nos capazes de continuar acreditando na vida. A resposta não importa. O que sentimos por toda essa jornada já nos dá a resposta.
Um filme arrebatador e impressionante, um daqueles momentos que sabemos o quão extraordinario é a vida, um breve momento de reflexão sobre a luta para podermos superar o medo, as aflições da vida, sem sobra de duvida a morte como a maior de todas. Com a produção de James Cameron, Lee traz um excelente momento para nos encantarmos pela vida. Feito como um espetaculo da natureza saltando em cada um dos minutos do filme. Bravo.


#9 crítica: Jack Reacher - O último tiro

I'm sexy, baby.

É dificil definir a carreira de um ator, e se definitivamente o fizermos muitas questões entram em jogo. Seus altos e baixos, os bons momentos e suas inesqueciveis produções. Um ator como o praticante da cientologia Tom Cruise, tem um panorama vasto que passa por produções que mesclam em seu conteudo e significancia. Poucos tiveram a honra de ter filmado com tantos mestres do cinema quanto o ator, que só pra citar alguns, temos de Stanley Kubrick (em "De Olhos Bem Fechados") e Paul Thomas Anderson ("Magnolia"). De Brian DePalma (em "Missão Impossivel") a Francis Ford Coppola (em "The Outsiders", sem titulo em portugues), e por ai vai. De certa maneira, ele anda fazendo um filme atrás do outro, e a impressão é que de uns tempos pra cá ele vem aceitando e buscando todos os mais diversos papéis bi cinema. Nesse seu ultimo filme, "Jack Reacher" que estreou recentemente, temos alguém com a mesma vontade de antes e quer mostrar ainda mais sua força como nome estampando poster de cinema. Cruise continua em busca de papéis que venham continuar a definir sua carreira e o mantenha como um astro de relevância e sucesso no cinema. O resultado deste filme é bem melhor do que outros filmes seus, mas não é o seu melhor produto.

Sou apaixonado pela série Missão Impossivel, e ali havia um agente secreto num roteiro mais encorpado com mais possibilidades ao personagem e ao ator também em certa medida. Jack Reacher é também um personagem de uma célebre série nos livros de espionagem nos EUA. Tem uma historia interessante nas prateleiras, mas aqui não virou algo consistente. Suas aventuras no filme tem uma dose alta de adrenalina e empolga. A historia percorre inicialmente a captura de um atirador de elite que após cometer um assassinato em massa, tira a vida de inumeras pessoas que passavam num certo momento por uma praça. Suas unicas palavras são a de um nome: o ex-policial militar Jack Reacher, um ex-fuzileiro e condecorado soldado que vem passando seus ultimos dias escondido e vivendo isolado. Quando descobre numa TV que o tal atirador de elite cometeu tal crime, volta à cena a fim de entender o motivo. O amibiente todo do filme remete ao clima dos anos 80, desde os carros a mania de se usar telefones publicos a base de fichas. As cores fortes do filme e o tom de sessão da tarde compensa um roteiro confuso e com mais pretensões do que eficientes modos de se desenvolver a teia que leva aos verdadeiros assassinos. Alguns furos ali, e acolá, mas o resultado não é de se jogar fora. Tem um timing bacana e funciona bem como filme de ação, mas não deve ir longe. Nem deve ter continuações, mas aqui tá uma obra enxuta e uma sessão da tarde interessante. O ator aqui mergulha num tom misterioso, algo como uma mistura do seu personagem em "Colateral" (2004, Michael Mann) e um tipico heroi de ação dos anos 80 (frio, mas com coração bom). O filme é dirigido por Christopher McQuarrie, vencedor do Oscar por melhor roteiro original em 1996, por Os Suspeitos, aquele filme do Bryan Singer (X-men). Além disso, fez o roteiro de Operação Valquiria, filme com Tom Cruise. Esse é o seu segundo filme como diretor, o primeiro foi A Sangue Frio (2000).

Um filme de qualidades proprias e que poderia ter tido uma historia mais bem acabada, mas não decepciona. Lembrete: a participação do acalamado diretor Werner Herzog no filme vai do bizarro ao risivel. No film temos uma dose de cinema pipoca. Pra mim é o que basta.

Robert Duvall e Tom Cruise a espreita do inimigo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

#8 crítica: Cloud Atlas

Antes da tormenta.

Uma sociedade repressora que alimenta um sistema de clones de mulheres orientais que vivem pelo tempo que acharem necessário, para servir como mão de obra. Um compositor bissexual que atrás de reconhecimento busca ajudar um senhor de idade, famoso músico a escrever suas melhores canções. Um jovem que viaja de navio e sofre com a pressão do ambiente e dos que querem sua morte, ao mesmo tempo em que ajuda um escravo a sobreviver. Uma jornalista que busca solucionar um ardiloso plano que envolve grandes empresas de petróleo  Um senhor de idade que ignorado por sua família  é colocado em um asilo, mas nada o fará desistir de sua busca em ir atrás de seu verdadeiro amor. E por fim, um homem que vive num futuro longínquo  onde tribos dominam e a fé abalada pode mudar os destinos de muitos. Tantas histórias se condensam em si e produz algo complexo, mas tateável. Num misto de filosofadas que nos propõe diversas observações sobre o mundo. A tarefa é feita para impressionar, só que cansa pelo tempo de filme e todas aquelas histórias cruzadas tentando achar algum fecho que una as todas e forme algo. Entretanto não dá para sair do assento sem se dar conta da beleza que os efeitos especiais nos causam. Pura vertigem, mas as filosofias jorradas, as mensagens todas e algo que não consigo me convencer na relação entre os atores do filme, Tom Hanks e Halle Berry, não sei. O saldo é positivo, o filme é bom, mas vale levar uma pipocas, doce e enfim, para ver uma obra que é grandiosa e merece ser deliciada como puro entretenimento, sem se envolver demais na toada de todo o papo furado. O resultado é confuso e caótico, mas interessante.

O filme é uma adaptação da célebre obra "Cloud Atlas", do escritor David Mitchell que criou um livro incrivel, mas transpor para as telas seria uma herege. Algo que redundaria inevitavelmente num risco grande de virar algo que não é no papel: chato e confuso. Se você assisitir com atenção o filme adaptado a altura da necessidade de não errar, os diretores da trilogia Matrix, Larry e Lana Wachowski trouxeram também para assinar a direção com eles, o premiado diretor de Corra, Lola Corra Tom Tynker, que soube o peso da missão. Não criaram uma obra prima, mas como ressaltou um critico do qual não me recordo o nome, talvez da revista Time, disse que esse filme não poderia ter sido feito se não por eles. O resultado foi fazer enorme parecer maior ainda, mas ainda assim nos faz pensar que nada passou de um bom filme. Pode parecer pouco, mas é excelente, já que ele não consegue ser chato, porém sucumbiu inevitavelmente a ser confuso. Digo no sentido de se entrelaçar demais entre as histórias, transpor tantas tramas que até se consegue acompanhar o fio da miada até seu desfecho, mas a sensação que o dilui em meio a necessidade de se querer conectar o tal passado, presente e futuro, só dificulta a compreensão.

Tom Hanks no futuro abandonado.

Agora vou contar como cheguei a minha opinião sobre o filme, que de pronto me deixou atordoado ao final da sessão, com tanto tempo de filme e baforada de mensagens altruistas. Vi e de inicionão gostei. Fiquei chapado com tanta informação, histórias e filosafadas. Parei um segundo e busquei rever o filme de novo na minha mente e percebi que havia algo muito bom, mas que não passava de um mero deslumbre com efeitos e então, me dei conta de que não achei o filme excelente, porém como todo libriano (talvez?), nem péssimo. Não arrebata, nem causa arrependimento. É belo até. Convenci-me de que as filosofias são capazes, sim, de nos causar certo efeito catártico também, o que somando aos efeitos especiais e as histórias que até se mostram divertidas e empolgantes, como a do asilo. sim, o filme pode ser algo bom.

Essas caracterizações dos muitos atores que a repetem são ridículas. Inegável.

Obs.: Assisti no Bristol, da Paulista numa tarde de chuviscos. Fui correndo para a Fnac, foliei algumas revistas gringas e quando vi já faltavam alguns minutos pro filme. Chuva brava e inesperada, tive que pegar um metrô até a estação consolação para evitar caminhar e me encharcar. Consegui ver o filme e achar um lugar no meio da lotação de gente. :D

Ridícula essa maquiagem, não?