| A paixão pelos Eagles une Pat (Bradley Cooper) e Pat Sr. (Robert De Niro) ao seu modo. |
| Atuação magistral de Lawrence. Não nada igual. |
Sabe aqueles filmes que te faz embarcar na história e quando você vê os letreiros subindo vem aquela sensação de prazer em ter passado boas horas numa sala de cinema. Assim é uma das possíveis maneiras de explicar como se sentir depois de ver O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook). A história de romance que há aqui pra mim tem muito de pretexto para falar da vida, dos momentos em que decidimos fazer coisas e nos surpreendemos com elas. Uma válvula de escape para todas as frustrações pode ser dar lugar para experiencias que nos transforma. O que é mais legal no filme de um dos meus diretores favoritos, David O. Russell é a forma encantadora de se revelar boas interpretações. Ele dá total liberdade criativa aos seus atores e o resultado é coesão em tudo. No seu ultimo filme, The Fighter, temos o que há de melhor nos atores Christian Bale, Amy Adans, Mark Wahlberg e Melissa Leo. Aqui algo se supera na opinião desse observador de filmes malcriado, que não liga para quem fala que esse filme é de mulherzinha e acha esse aqui o melhor filme do ano, até um outro aparecer para eu soltar esse elogio mais uma vez. Impossível não se sentir admirado e perplexo com tamanhas interpretações. Bradley Cooper, um ator que vem crescendo mais e mais. De um ator mediano, ele é a minha, a do Peter Travers, critico da Rolling Stone, e de todos os pensadores da sétima arte a aposta de ator para o futuro Teve aqui sua primeira indicação ao Oscar de muitas que virão, sem duvida. Seu personagem Pat sofre de problemas psicológicos revelados após ter espancado o home com que sua mulher estava o traindo, em sua própria casa. Após ficar por durante oito meses numa clinica psicológica sua mãe, numa atuação de arrepiar da veterana atriz Jackie Weaver, o resgata de lá e o traz de volta para junto da família Seu pai, interpretado por Robert De Niro (outro ator que surge de um tempo sem brilho algum e agora vale de uma indicação de melhor ator coadjuvante por esse filme), se espanta num primeiro momento ao ver o filho regresso e passa a não descansar enquanto Pat não permanece ao seu lado nos jogos do time de futebol americano Philadelphia Eagles. Na sua mania que beira ao TOC, ele acredita que a presença do filho em sua casa tem uma razão, que é a de dar sorte a seu time. Outros atores que achei muito bom é o irmão de Pat (Shea Whigham), que protagoniza uma cena que gosto muito quando ambos vão ver no estádio um jogo decisivo contra o time de Nova York e todos acabam numa briga com outros torcedores, para o desespero do patriarca e outro retorno em grande estilo, o do ator Chris Tucker no papel de um internado do hospital psiquiátrico com quem Pat cria amizade.
| Weaver e De Niro. Excelentes atuações. |
Pat volta ao lar com a intenção de reatar com sua ex, que exigiu que a lei o mantivesse a uns metros de distancia dela. Voltou a correr para controlar o estresse com tudo, que só vem a crescer a medida que evita a tomar os medicamentos prescritos, e voltou também a se socializar com os amigos e com pessoas próximas. Numa certa noite num jantar na casa de seu amigo, Pat revê a irmã da mulher de seu amigo, Tiffany (Jennifer Lawrence), cujo marido morreu recentemente e dali ambos passam a ter encontros cada vez mais fora do comum a todo momento, em especial nas corridas matinais de Pat. Ele não quer ficar mal visto ao seu lado, dado aos comentários maldosos feitos sobre ela, e ela não quer se sentir sozinha. Todo esse complicado relacionamento vai acabar numa competição de dança em que é apostado todo o dinheiro do Pat pai. Até chegar esse momento muitas águas devem rolar e sentimentos desconhecidos e novos vão surgir entre eles e somente no momento certo será revelado.
| David O. Russell e seus pupilos. |
| O bom filho a casa retorna: Pat volta do hospital psiquiátrico. |
Lawrence é uma das melhores (porque são muitas) coisas do filme. Radiante, controladora, anti social. Um furacão. Uma das mais brilhantes atuações de sua carreira e das que já vi ultimamente. Sua Tiffany sofre e nunca admite seus problemas, pelo contrario preferindo se embebedar ou transar com todos ao seu redor para evitar sofrer com o que se tornou sua vida. Vazia e sem rumo. Vê em Pat alguém tão louco quanto ela, e com problemas tão difíceis de se resolver quantos os dela, mas há algo ali que ela aposta suas fichas para ver se no fim do arco iris ela terá o que espera.
Não é um simples filme de comédia romântica, porque ele se propõe a algo a mais. Eleva o padrão de filmes do gênero. Quer falar de nossas fragilidades e de nossos medos na vida e de como encarar as coisas de maneira positiva pode remediar, mas somente as experiencias reais darão conta disso. As fraquezas que todos nós temos e muitas vezes ficam expostas em atitudes cotidianas, como a do pai de Pat com seus transtornos e sua raiva, em diversos momentos. Assim como todos os que vivem em seus casamentos e familias para criar. Haverá sempre algo de bom que nos levará no meio das durezas da vida, seja esses momentos duradouros ou passageiros. O que vale é seguir acreditando nessas regras e se aproveitar sempre da chance de realizar.
Um dos melhores filmes que um ingresso poderá pagar, com um roteiro brilhante, uma direção muito competente e uma trilha sonora ótima. Isso não é tudo, mas o que há de mais sensacional nesse filme de David O. Russell talvez seja a simplicidade das coisas na vida. Do jogo ao amor, ambos pedem por um pouco de honestidade e sorte na hora de conseguir vencer em ambos. Numa das mais deliciosas experiencias narrativas do cinema dos dias de hoje e de um encanto, de um clima e de uma proximidade com a plateia e vida real, O Lado Bom da Vida parece que só quer te dar um final feliz, quando ele te reserva muito mais do que você esperava conseguir numa simples ida ao cinema.
| Uma nota 5 já está de bom tamanho: casal com boa química. |
A trilha sonora que mistura excelente hits e é uma das melhores trilhas do ano.
Se ela tá falando...
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