A formula da boa comédia em Hollywood nesses dias em que escrevo tem nome, rosto e personalidade. Seu nome é Judd Apatow. E suas diretrizes estão apoiadas em nos fazer pensar antes de rirmos, ou melhor, talvez (e digo aqui em um talvez) para não sairmos com a impressão de que os risos não serão descartados. Penso aqui como um executivo de um grande estúdio, mas não deve com certeza ser a impressão que sr. Apataw passa aqui premeditadamente. Suas intenções são as melhores, o que inclusive deve permitir-lhe se agraciar com o fato de ser um cara esperto. Ele iça em dois lados, de um a comédia deliciosa de se assistir, bem ao estilo de John Hughes, nos anos 80, e de outro, aquela sensação de que podemos armar uma discussão com esse assunto. E nesse toada, Apatow se sai supremo.
Nos Estados Unidos, estreou na semana passada, "This is 40", a mais nova obra do diretor, que anda tendo boas reviews (no Rotten, ficou na média 50% de aprovação), e que em seu todo traz aquilo que o caracterizou tão bem em Ligeiramente Grávidos, O Virgem de 40 anos, entre outros. Porém, apesar de ser um eximio diretor, ele dedica boa parte do seu tempo produzindo filmes. Nisso, ele põe a mão e faz alguns retoques e pitacos. Em geral são satisfatórios seus filmes como produtor. E aqui em Wanderlust, a proposta se saí bem, apesar do roteiro fraquinho e não tão atraente, o resultado é satisfatório. Assisti hoje em casa, já aqui no Brasil o filme passou longe dos cinemas. Graças ao seu "maiores de 18 anos" e numa sinopse que não atrairia muitos jovens, mais mulheres. Na "América", o filme foi fraco nas bilheterias também. O ponto forte do filme é Paul Rudd. Sem dúvidas, o humor vem dele. As cenas sem ele, se apoiando no humor dos demais atores não sobrevive. A história se passa com George (Rudd), que após perder o emprego em Nova York, após a sua companhia ser atingida por um escândalo financeiro, perde tudo e decide mudar de vida com sua esposa Linda (Jennifer Aniston) e partir para Atlanta, onde seu irmão vive. Só que no meio do caminho ele encontra uma comunidade hippie, e passa uma noite nesse lugar. Ambos se encantam, mas partem para a Atlanta, deixando o paraíso. Após sofrerem com as humilhações impostas pelo seu irmão, George experimentar viver por duas semanas na comunidade hippie, até conseguir um emprego e voltar para NY. O destino lhe reservava surpresas, e o que eram duas semanas se tornaram meses e sua mulher resolveu permanecer por lá. O desfecho não convence muito, mais pelo roteiro fraco e preguiçoso, do que por uma reviravolta ou fim previsivel.
Nada que não merece ser apreciado pelo talento de Rudd no papel, que bem mais do que em outras produções, o permite ser o centro de fato do humor, e que nele o faz com primazia. Boas gargalhadas, principalmente na cena do espelho e de quando fica de frente da belissima atriz Malin Akerman, com quem poderá transar por uma noite. Apatow deixa sua marca aqui, ao nos brindar com uma trama que nos faz rir da atual situação economica americana. Não há empregos, não há como sobreviver em um cubículo em West Village, bairro nobre de Nova York. O que sobre é recorrer a parentes, mudanças e incertezas sobre o rumo de suas vidas. Por mais duro que seja encarar a realidade, é melhor assim do que viver num paraíso.

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